Como falar “igual” japonês sem parecer um (completo) babaca e otário

ATENÇÃO: NÃO GOSTOU? O ‘X’ DA ABA É SERVENTIA DA CASA.

Se você quiser aprender a passar menos vergonha, é só continuar lendo. Dica master: se REALMENTE você não quiser passar vergonha, não faça essas ‘brincadeiras’ sobre as quais discorrerei a seguir.

Pastel de FLANGO? De onde você tirou isso?

Quem troca R por L é o Cebolinha (já leu?) e talvez alguns chineses por uma questão fonética TOTALMENTE diferente dos japoneses.

Quer brincar de falar igual um otário tirando sarro de outras culturas que estão há mais de cem anos no Brasil (talvez há mais tempo que a sua família)?

Então, quando for falar pastel de “flango”, esqueça o ‘L’, porque essa mer- NÃO EXISTE no japonês. É FÚ-RÁN-GÔ, SEU ——. Ah! E na época da minha mãe, nos anos 80, essa ‘piada’ já era bem batidinha, talvez esteja na hora de se atualizar com seu tio do pavê.

SayonÁra (com aquela cara ridícula toda amassada), o clichê mais tosco desde a Segunda Guerra

Primeiro, você está acentuando errado. É sá-yô-ná-rá, tudo acentuado igual, sua anta. Quem fala sayonÁra sem parar são aqueles vilões toscos de filmes estadunidenses (é, ES-TA-DU-NI-DEN-SES) que morrem na primeira explosão sem noção de tanque de gasolina, voando igual uma perereca, com as pernas e braços arreganhados pelos ares, e a boca mais aberta que quando o dentista larga fotopolimerizador na sua boca já ressecada. Quer ser igual eles? Então continua passando vergonha falando sayonÁra com aquela cara de quem tá abafando, mas só se for o próprio cérebro.

Segundo, sayonara é o equivalente a adeus, ou seja, você fala quando NUNCA MAIS vai ver a pessoa, ou então quando você irá partir e demorará muito para voltar.

Percebe quão ridículo é usar sayonara para se despedir do sushiman onde você come rodízio todo mês, ou dos seus parças que você vê todo santo dia (mas talvez não desejaria ver tanto assim)?

Sugestão: use matane (até mais) para seus amigos se todos forem otakus, porque é mais fácil do que decorar mata ashita (até amanhã), mata raishuu (até semana que vem). Para o sushiman, bem…acho que agradecer em português já tá ótimo (assim você evita 100% o mico).

Mãozinha de Prece / Namastê de Rodízio

Agora chegamos a mais uma pérola do Ocidente. A mãozinha de prece ou namastê de rodízio, dependendo de onde ela é aplicada é aquele gesto de juntar as duas mãos igual o emoji de prece do Whatsapp (aquela que você usa para reagir a mensagem de uma tia falando sobre não sei quem que estava fazendo rifa para a sobrinha que vai casar) e além das duas mãozinhas, o jumento fica jogando a cabeça para frente e em alguns casos fazendo a cara amassada semelhante a do sayonara.

Deixe-me explicar, queridos. O namastê é da Índia, e no Japão só se usa para situações em templos budistas. A pista do Jin Jin ou do Gendai tem um altar para Buda , umas almofadas duras para você meditar, e um monge com uma vara na mão para “ajeitar” sua postura? Então, por que diabos você está agindo igual uma marmota?

Se for para cumprimentar um japonês ou japonesa, o jeito certo é uma curvatura não muito exagerada de toda a coluna (incluindo sua cabeça de vento), com o rosto virado para o chão RETO em relação à coluna e olhos para o chão ou levemente direcionados a quem está à sua frente, mas não de forma muito direta. Homens colocam os braços e as mãos ao lado das coxas, e mulheres à frente das coxas.

Na dúvida, apenas um aceno de longe e um sorriso afável que tenho certeza que você consegue fazer (nem precisa ser bonito) é mais que o suficiente, não é necessária tanta afetação para cumprimentar um japonês (que provavelmente nasceu em Mogi e lê português melhor que você).

O ápice da vergonha alheia: COMBO arigatô, arigatô + namastê de rodízio OU arigatoooo de propaganda de comida “asiática” de bairro

Para fecharmos com chave de ouro essas dicas de como passar menos vergonha (ou chutar o balde e abraçar a vergonha alheia) no rodízio de comida japonesa ou na feira, vamos falar sobre duas variações patéticas do uso da palavra arigatou (que significa obrigado, obrigada em japonês).

Primeira variação: COMBO arigatÔ, arigatÔ + namastê de rodízio (o Gratiluz do temaki)

É aquele ariga com o ‘tÔ’ bem destacado, igual em TOCO, TORTO, TONTO, TOSCO, repetido pelo menos duas vezes, com aquele molejo de cabeça parecendo um…colado no painel do carro balançando quando você passa por um buraco ou quebra mola rachado, e claro, as mãozinhas de prece de whatsapp de grupo de oração da tia/namastê de rodízio com direito a pizza mais fina que revistinha de farmácia.

Segunda variação: arigatoooÔ com garganta trancada de quem chupou caju e tá sem água (O candidato a ponta comercial de propaganda de restaurante de comida “japa” de bairro)

Esse é o arigatoooÔ com voz meio esganiçada e em volume alto (crescendo) com uma segurada no final para parecer aqueles samurais toscos dos filmes antigos, que usavam hakamá e espada do contrário, e batiam na espada do oponente ao invés de baterem no oponente.

Parece que a pessoa está treinando para uma propaganda de delivery meio suspeito de temaki ou combinado de sushi, na frente do espelho, mas já com certo pressentimento que não conseguirá a ponta.

Para as duas variações, a dica para passar vergonha direito é: fale arigatou com o tou prolongado, como um TÔÔ (Tôoo indo, mãe), e não ‘tô’ muito acentuado e curto, igual em “TOSCO”. Para você ser educado e não tanso, PARE de mexer a cabeça igual uma cacatua, dispense o namastê de rodízio e adicione ao arigatou, gozaimasu (arigatougozaimasu, o ‘u’ é praticamente mudo). Mas “obrigado” e “obrigada” os imigrantes e seus descendentes entendem desde 1908, então é uma opção mais segura de que você não passará vergonha (a mais).

Aqui é só parceria, paz e amor!

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